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Stranger Things 5 - Vol.1
Finalmente, o público retorna a Hawkins e ao temido “Mundo Invertido”, agora com a promessa de revelar a origem da trama que alimenta teorias desde 2016. Logo nos primeiros minutos, fica evidente que os irmãos Duffer buscaram entregar algo grandioso e, ao menos nesta primeira parte, cumprem o que prometeram. O investimento da Netflix salta aos olhos, refletindo a importância de sua série original mais influente. Afinal, a plataforma não possui um histórico tão positivo de encerramentos satisfatórios. Três de seus maiores fenômenos sofreram com o excesso de temporadas e a perda de rumo: Round 6, La Casa de Papel e House of Cards.
Curiosamente, apenas uma produção parece ter escapado desse problema: a alemã Dark, encerrada com precisão e sem alongamentos desnecessários. Até mesmo The Crown teve seu desfecho comprometido ao ser estendida por duas temporadas além do previsto.
A temporada final nos desloca para 1987, dezoito meses após o incidente das Fendas. Hawkins está em quarentena sob controle militar, que instalou uma base no próprio Mundo Invertido enquanto continua a busca por Onze. A jovem treina em segredo com Jim Hopper e Joyce, enquanto Will, Lucas e Mike tentam levar uma vida discreta na cidade ocupada. Dustin, por outro lado, insiste em homenagear Eddie, irritando a equipe de basquete da escola. Steve Harrington, Robin, Jonathan e Nancy trabalham em uma rádio local, de onde enviam mensagens codificadas ao grupo sobre oportunidades de levar Hopper ao Mundo Invertido missões que chamam de “rastreamentos” na tentativa de localizar o esconderijo de Vecna.
Apesar do forte início, a temporada já apresenta sinais de desgaste. As tramas se estendem além do necessário e, em alguns momentos, parecem arrastadas. Há personagens demais e pouco tempo para desenvolver todos de maneira satisfatória. Os roteiristas evitam a solução mais fácil matar personagens para não prender a série a um clima prolongado de luto, o que desviaria do foco central. Ainda assim, tudo indica que a segunda parte trará mortes significativas. Alguns diálogos soam artificiais, como se estivessem ali apenas para preencher minutos, reflexo de um sucesso que acabou aprisionando a produção na obrigação de sempre oferecer algo maior e mais épico.
Como esperado, a Netflix não pretende permitir que a franquia “descanse em paz”. Uma animação já está confirmada para o próximo ano, e novos arcos estão em discussão. Mesmo assim, os irmãos Duffer insistem que a história desses personagens se encerra nesta temporada. E há indícios disso: os quatro primeiros episódios trabalham claramente em escala de conclusão, preparando o espectador para um desfecho grandioso. As cenas finais do episódio quatro deixam claro que a maior carga de ação e revelações está reservada para os capítulos finais. Agora, resta aguardar até o Natal para descobrir como esse fenômeno cultural chegará ao seu tão esperado capítulo final.
Joinhas:
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Por:
@eduardomontarroyos