
401

Crítica:
400
0
Stranger Things - Episódio Final
Depois de um Volume 2 pra lá de destoante com tudo o que a série havia proposto até então, finalmente chegamos à conclusão de uma das produções de maior sucesso da história da televisão mundial. Para fãs ou haters, uma verdade é inegável: a série se tornou um marco da cultura pop. Reuniu um elenco extremamente cativante, que ficou no coração do público, em um fenômeno comparável a Star Wars ou Harry Potter. Eu poderia escrever uma redação inteira apenas elencando as evidências de o quanto esse trabalho é icônico, mas aqui o foco é o tão aguardado episódio final.
No desfecho, assistimos a uma batalha épica que exige a união de todos os personagens para, enfim, derrotar Vecna e o Mind Flayer (Devorador de Mentes), antes que os mundos se fundam e Hawkins, Indiana, e a própria Terra como a conhecemos, sejam conquistadas. Em seguida, somos conduzidos a cerca de quarenta e quatro minutos de epílogo, que nos apresenta as consequências da grande batalha para cada personagem que sobreviveu.
Como fã, confesso: fico triste. Mas há problemas que não podem ser ignorados. O final apresenta diversos furos de roteiro. O desfecho de alguns personagens simplesmente é ignorado. O passado de Henry Creel é raso, e não venha me dizer que eu preciso assistir a uma peça da Broadway para compreender melhor sua história. Além disso, todas (definitivamente todas) as criaturas do Mundo Invertido simplesmente desaparecem, sem qualquer explicação ou conclusão narrativa. Questões que facilmente poderiam ter sido exploradas pesam negativamente no resultado final. Um exemplo: as criaturas poderiam ter se unido para formar a versão definitiva do Mind Flayer. Seria uma grande resposta, mas nem isso nos é oferecido. Tudo isso revela uma produção apressada, com uma subdivisão problemática. Se esta última temporada tivesse sido dividida em duas partes, como a anterior, talvez houvesse uma camuflagem das falhas graves do Volume 2. Sem contar o excesso de botox em Millie Bobby Brown: o procedimento estético inibiu drasticamente sua expressão facial. Raramente se vê um perecimento estético atrapalhar tanto a atuação de uma atriz.
Entretanto, não se pode ignorar as decisões acertadas dessa reta final. O foco em Eleven, trazendo-a novamente como personagem central, foi de longe a melhor escolha. Dar a ela um final dúbio, oferecendo ao público liberdade de interpretação, foi uma decisão excepcional da sala de roteiristas. O epílogo desperta nostalgia da própria série, especialmente das cenas iniciais e da terceira temporada. Se antes a produção funcionava como uma fábrica de nostalgia ao homenagear outras obras, agora ela nos entrega uma nostalgia construída a partir de si mesma. Os roteiristas optaram por não matar personagens amados pelo público, como Dustin e Steve, e ofereceram finais dignos a todos. Há um cuidado perceptível nos diálogos, buscando proporcionar um encerramento satisfatório e, quem sabe, até um senso de continuidade. E não se enganem: ainda ouviremos muito sobre esse universo. A Netflix não deixará essa saga morrer tão cedo. É estranho me despedir dessa série e desse elenco maravilhoso. Foram nove anos acompanhando esses personagens. Até eu, como fã, espero que isso não seja um “adeus”, mas apenas um “até logo”.
Joinhas:
4
Por:
@eduardomontarroyos