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Crítica:

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Rio de Sangue

Mais uma vez somos surpreendidos por um filme brasileiro. Com distribuição da Disney e produção da Intro Pictures, nos é apresentado o longa Rio de Sangue, filme de ação e suspense estrelado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann, além de ser dirigido por Gustavo Bonafé. O primeiro elogio que tenho a dar ao filme é para a roteirização de Dennison Ramalho e Felipe Berlinck; os dois fizeram um ótimo papel na escrita de uma história que realmente emociona e desperta a curiosidade de saber como a trama vai acabar e como as personagens sairão de certas problemáticas - perguntas que são bem respondidas durante a projeção.

Logo nos primeiros minutos, somos apresentados à personagem de Giovanna Antonelli, que interpreta Patrícia Trindade, uma policial jurada de morte pelo narcotráfico na cidade de São Paulo. Ela se vê obrigada a buscar proteção e o reencontro com sua filha no estado do Pará. O filme traz traços da cultura do Norte do país, mostrando as cidades e a realidade vivenciada pela população local. O roteiro coloca como parte principal da trama as aldeias indígenas e a interação dos povos originários com pessoas de fora. Aqui, o elogio vai para o ator Fidelis Baniwa que, mesmo não sendo uma das estrelas principais, entrega uma performance agradável. Além disso, há atuações memoráveis dos vilões da trama, Chagas e Polaco, interpretados por Sergio Menezes e Antonio Calloni.

A narrativa do filme ganha um ar pesado ao mostrar a exploração diária sofrida pelos povos indígenas e a falta de comprometimento do governo na área. Essa é uma crítica que fica exposta pela própria obra, ao abordar a falta de paciência dessas comunidades com pessoas que chegam às aldeias prometendo mudanças quando, na verdade, estão interessadas apenas na riqueza natural e na suposta ingenuidade dos indígenas. A trama se intensifica quando a personagem de Alice Wegmann, filha da policial e paramédica em missão para ajudar os povos indígenas, vê-se cercada com seu namorado por garimpeiros que os procuram para acertar contas. Diante disso, Patrícia é obrigada a agir novamente como policial e corre contra o tempo para resgatar a filha sequestrada.

O filme tem alguns deslizes de roteiro. Sim, a história é bonita e emocionante, mas torna-se cansativa quando, no meio do longa, tudo fica muito previsível. Sem entregar o final, o filme apresenta cenas com diálogos longos e lentos, servindo apenas para que o tempo passe antes do próximo acontecimento - o famoso "encher linguiça". A parte visual acompanha a floresta como ambiente principal, mas a ambientação ficou um pouco "seca", sem a essência de uma mata fechada. Tudo parece muito fácil e não apresenta dificuldades reais, como se não existissem desafios ao enfrentar um ecossistema como a Floresta Amazônica.

Por fim, Rio de Sangue mostra a evolução do cinema brasileiro, que antes era criticado por focar apenas em comédias saturadas. O longa peca em alguns pontos, mas acerta em outros, provando que há esperança para as produções nacionais e que a nossa cultura cinematográfica não se resume a um único gênero ou elenco, sendo perfeitamente possível acertar no básico.

Joinhas:

3

Por:

@gabrielrodriguez_alb

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