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Crítica:
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O Filho de Mil Homens
O Filho de Mil Homens é um filme contemplativo, que pode facilmente se tornar monótono para quem não está acostumado com tramas mais lentas. Desde o primeiro ato, o longa já nos sinaliza o que esperar dos seus minutos de duração: uma narrativa calma, ambientada em um cenário costeiro brasileiro, que pouco se altera ao longo da trama. A história segue quatro personagens cujas trajetórias se cruzam, e o final revela o motivo dessa ordem e a importância dos encontros.
A trama acompanha Crisóstomo (Rodrigo Santoro), um pescador solitário de 40 anos que carrega consigo a culpa por não ter conseguido ser pai. Na busca por um filho sem pai, ele cruza o caminho de Camilo (Miguel Martines), um garoto órfão de 12 anos. Juntos, eles iniciam uma jornada perigosa, mas gratificante, para formar uma família não convencional. No povoado onde vivem, dois outros personagens, Antonino (Johnny Massaro), um jovem incompreendido, e Isaura (Rebeca Jamir), uma mulher fugindo da própria dor, se cruzam com Crisóstomo e Camilo. Juntos, eles aprendem sobre o verdadeiro significado de família e a importância de compartilhar a vida.
Embora a premissa narrativa tenha grande potencial, as escolhas de produção deixam a desejar. Não consegui me conectar com a história nem me emocionar com ela. Isso, em parte, se deve às ideologias progressistas abordadas, que embora não sejam um problema em si, são apresentadas de maneira bastante superficial e simbólica. Especialmente no arco de Crisóstomo, as simbolizações não são bem explicadas, o que acaba dificultando o entendimento e a conexão com a trama. Até os efeitos narrativos são precários. O filme segue o padrão de muitos longas brasileiros que não investem em uma produção de qualidade.
O Filho de Mil Homens é uma coleção de capítulos conectados que resultam em duas horas de monotonia. Eu não recomendaria o filme para o público geral, mas sim para críticos de cinema que se dedicam ao estudo profundo das simbologias e da análise cinematográfica. Entendo que nem toda simbologia precisa ser explicitada, mas não é justo simplesmente jogá-la ao público e esperar que todos consigam compreender sem mais explicações.
Joinhas:
2
Por:
@eduardomontarroyos