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Crítica:

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Mortal Kombat 2

Depois de reviver a franquia com o reboot de 2021, ainda durante a pandemia de Covid-19, a Warner decidiu, até certo ponto, atrasar o lançamento de sua continuação para garantir que, dessa vez, o filme fosse visto onde eles queriam que fosse visto: nos cinemas. Embora tenha sido bem recebido pelo público no streaming, o primeiro filme não fez uma boa bilheteria. Agora, em 2026, Mortal Kombat 2 chega com a missão de expandir o universo ao mesmo tempo em que tenta, realmente, fazer jus ao nome da franquia. Mas será que consegue?

Em Mortal Kombat 2, “os campeões favoritos dos fãs, agora acompanhados pelo próprio Johnny Cage, enfrentam-se na batalha final para derrotar o domínio sombrio de Shao Kahn, que ameaça a própria existência do Earthrealm e de seus defensores.”

Primeiramente, preciso deixar claro que, como crítico, mas, acima disso, como fã da franquia, fiquei extremamente decepcionado com o primeiro filme. Muito por conta dos minutos iniciais explorando o passado de Scorpion, interpretado com excelência por Hiroyuki Sanada, Mortal Kombat (2021) engana inicialmente com 10 minutos de uma cena bem dirigida, mas não entrega mais nada além disso. Seu protagonista, Cole Young (Lewis Tan), aparentava ser apenas uma sacada barata para introduzir o público em geral à franquia e, ainda assim, conseguia ser absurdamente chato e genérico. Para piorar, a história em torno do torneio foi subdesenvolvida em virtude de uma trama confusa e rasa, que se leva muito mais a sério do que deveria, não conseguindo contornar sua própria monotonia. Para piorar, não criava tensão por qualquer possibilidade de perda de algum personagem e pecava até no ritmo.

Felizmente, não posso dizer o mesmo de Mortal Kombat 2. Dirigida por Simon McQuoid e escrita por Jeremy Slater, que trabalha ao lado de Ed Boon e John Tobias, a sequência demonstrou uma clara evolução em relação ao primeiro filme. A adição de Johnny Cage, encarnado perfeitamente por Karl Urban, traz um ar totalmente novo para a dinâmica entre os personagens, arrancando também risadas da minha parte. Toda a trama envolvendo Kitana (Adeline Rudolph), que estabelece Shao Kahn (Martyn Ford) como vilão, mesmo sem muito desenvolvimento, é uma adaptação bastante fiel da história original e, honestamente, mais funcional do que a de Cole Young, personagem que sequer existia no material base. Dessa forma, o ritmo da obra se torna mais enérgico e agradável para o espectador.

Além disso, o trabalho técnico da produção evoluiu. A coreografia das cenas de luta, tão importante para fazer da franquia o que ela é nos jogos, está bem mais trabalhada aqui. A trilha sonora, um dos poucos pontos fortes do filme anterior, continua fazendo um papel crucial. A maquiagem recebeu polimento, com destaque para Baraka (CJ Bloomfield) e, aqui, temos cenários mais interessantes e menos genéricos. Os efeitos especiais também estão mais rebuscados, considerando, é claro, as limitações de um orçamento de U$68 milhões, algo muito abaixo do padrão blockbuster.

Em suma, Mortal Kombat 2 consolida-se como um caso raro de sequência que demonstra maturidade ao aprender com os equívocos estruturais de seu
antecessor. Recheada de referências, refinamento técnico e um dinamismo narrativo ausente no filme anterior, a obra abdica da pretensão de uma densidade dramática artificial em favor de uma proposta mais honesta e vibrante. Ao abraçar a mitologia dos jogos fielmente, o longa estabelece entrega o fanservice exigido pelos fãs sem comprometer a funcionalidade e o entretenimento necessários para o público em geral. É, acima de tudo, uma prova de que o melhor é, muitas vezes, apenas aceitar a essência de uma franquia.

Joinhas:

4

Por:

@mateusmtleite

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