
410

Crítica:
409
0
Magnum
Não podemos negar que, apesar dos grandes fracassos que a Marvel Studios acumulou no cinema e na TV após Vingadores: Ultimato, o estúdio tentou inovar de diversas formas. Podemos criticar os insucessos e os roteiros mal escritos, mas não dá para ignorar que, pela primeira vez desde 2019, a Marvel vem tentando se desvincular de sua “fórmula”, tão comentada nas fases 1, 2 e 3 do Universo Cinematográfico Marvel.
Wonder Man, também conhecido como Magnum nos quadrinhos, é um dos grandes exemplos dessa tentativa de renovação. Agora temos algo praticamente inédito dentro do estúdio: uma aposta mais centrada em atuações consistentes e menos dependente daquela superprodução repleta de efeitos especiais. A pergunta que fica é: deu certo? Ou seria melhor a Marvel “nadar no seguro” e retornar de vez à sua fórmula tradicional? Em Wonder Man, um astro de cinema ganha superpoderes e acaba se tornando um verdadeiro super-herói, exatamente como os personagens que interpretou nas telas. Na minissérie da Marvel Studios, Simon Williams (Yahya Abdul-Mateen II) é um ator e dublê de Hollywood que, inesperadamente, descobre possuir habilidades extraordinárias. A partir daí, assume a identidade de Wonder Man, um herói que parece ter saído diretamente dos filmes de ação que marcaram sua carreira.
A proposta mistura metalinguagem, crítica à indústria do entretenimento e o tradicional universo de super-heróis da Marvel, explorando o contraste entre ficção e realidade na vida de um ator que agora precisa lidar com o fato de que seus poderes são reais. Quando afirmo que a Marvel se desapegou de sua famosa fórmula, estou me referindo especificamente a este projeto. Não acredito que o estúdio abandonará seu método tão cedo. Há exemplos recentes que mostram o contrário. O melhor deles é Deadpool & Wolverine, que resgata o conceito de “filme-evento”, fórmula que certamente será repetida em Vingadores: Doutor Destino, produção que aposta novamente na reunião massiva de personagens clássicos e novos para garantir grandes bilheterias.
Wonder Man, por outro lado, anda na contramão dessa estratégia. Em certa medida, funciona como uma espécie de resposta da Marvel a The Studio, ao apostar numa abordagem mais satírica e intimista sobre os bastidores do entretenimento. O Universo Marvel ainda está presente, com ligações claras à saga dos Vingadores, e o tema “herói” não desaparece, afinal, trata-se de um estúdio conhecido por seus super-heróis. Entretanto, esses elementos ficam, em muitos momentos, em segundo plano para dar espaço a dramas familiares, conflitos internos e amizades complexas, algo que raramente víamos o estúdio explorar com profundidade. Confesso que a história é bastante envolvente. Finalmente vemos a Marvel começando a estruturar uma série com identidade própria. Cada episódio tem um objetivo claro: fortalecer os laços entre os personagens e até mesmo trazer redenção a figuras que marcaram as primeiras fases do estúdio.
Joinhas:
3
Por:
@eduardomontarroyos