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IT- Bem-Vindo a Derry - 1ª Temporada

Depois de muitas especulações e de uma produção pra lá de demorada, finalmente chegamos ao ano de lançamento de It: Bem-vindo a Derry, série ambientada no mesmo universo do palhaço mais assustador de todos os tempos. Uma temporada com oito episódios naturalmente traz riscos, sobretudo o de saturar a imagem do grande antagonista. Felizmente, isso não acontece. A Coisa, em sua forma mais icônica (o palhaço Pennywise), demora a aparecer. Ele está sempre presente, mas assume outras formas, estratégia que mantém o mistério e evita o desgaste da já consagrada caracterização de Bill Skarsgård.

IT: Bem-vindo a Derry funciona como um prelúdio dos filmes It: A Coisa, mergulhando nos eventos que antecedem a famosa obra de Stephen King. Ambientada no final da década de 1950 e início dos anos 1960, a série retorna à cidade de Derry, onde o mal parece nunca adormecer. Ao longo da trama, somos apresentados à origem da entidade maligna, que chega à Terra de maneira misteriosa e passa a aterrorizar as crianças da cidade. Um grupo de sete amigos começa a vivenciar fenômenos estranhos e sobrenaturais: alguns veem um palhaço, outros uma múmia ou diferentes figuras grotescas. Aos poucos, eles descobrem que todas essas manifestações pertencem a uma única entidade, capaz de assumir qualquer forma para se alimentar do medo.

Logo no primeiro episódio, a série deixa claro seu objetivo e já entrega cenas de terror bastante pesadas daquelas que praticamente convidam os pais a tirarem as crianças da sala. Andy e Bárbara Muschietti não economizam ao apostar em um horror mais cru e sem concessões, o que se mostra um ponto extremamente positivo dentro da proposta da narrativa. Os episódios iniciais são, de fato, mais contidos, mas isso se justifica pela necessidade de introduzir esse universo expandido em formato seriado. Em contrapartida, os dois últimos episódios da temporada estão entre as melhores experiências televisivas de 2025 até agora, com uma qualidade narrativa impressionante. As escolhas de trama e subtramas são muito bem construídas e merecem destaque.

Meu principal problema com a série, no entanto, é recorrente na filmografia de Andy Muschietti: os efeitos visuais. A forma como o diretor trabalha o CGI continua sendo, para mim, seu ponto mais fraco. As escolhas estéticas frequentemente flertam com o chamado vale da estranheza, e o mais curioso é que isso parece totalmente intencional. No último episódio, por exemplo, há uma sequência envolta em névoa, apresentada em plano aberto, cujos efeitos são visivelmente precários. Ainda assim, tudo é exibido com um certo “orgulho” estético que causa estranhamento. Esse tipo de decisão visual acaba reforçando a sensação de que se trata mais de uma produção “MAX” do que propriamente “HBO”, utilizando o selo da emissora mais como estratégia de marketing do que como garantia de excelência técnica.

Joinhas:

4

Por:

@eduardomontarroyos

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