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Crítica:
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Eden
Escondido entre o vasto catálogo da Amazon Prime Vídeo, o que imediatamente chama a atenção é o elenco estelar estampado em seu cartaz: Ana de Armas, Vanessa Kirby, Sydney Sweeney, Jude Law e Daniel Brühl. Só isso já é, no mínimo, motivo suficiente para dar uma chance ao filme. A arte promocional reúne todos os nomes de destaque de forma proposital, justamente para fisgar o espectador. O que mais impressiona, no entanto, é o fato de que toda a história, por mais inusitada que pareça, é baseada em eventos reais. Esse detalhe funciona quase como um grande plot twist prévio e nos faz questionar, ao longo da narrativa, como tudo aquilo realmente pôde acontecer e até onde pode chegar a ganância humana.
Eden, dirigido e escrito por Howard e Noah Pink, é um filme exibido no Festival Internacional de Toronto e se inspira em um mistério real nunca totalmente solucionado que assombrou as ilhas de Galápagos. A trama acompanha um grupo de pessoas que, movidas por um desejo radical de mudança, decidem virar as costas para a sociedade e abandonar tudo para tentar recomeçar a vida em uma ilha remota. O longa explora a condição humana de maneiras inesperadas, mantendo sempre um tom inquietante, emocionalmente carregado e profundamente envolto em suspense.
O grande destaque do filme está, sem dúvida, nas atuações do elenco central. Todos os atores demonstram forte comprometimento com seus papéis, sustentando a narrativa mesmo com poucos cenários e recursos de produção. O roteiro se preocupa em não deixar a história monótona, apostando em um intenso jogo de poder, no qual os personagens tentam constantemente manipular uns aos outros. Essas disputas fazem com que as tramas individuais se sobressaiam e reforçam a necessidade de um elenco de peso para que a história funcione plenamente. Trata-se de um filme em que as expressões, os silêncios e a qualidade interpretativa são determinantes.
O principal problema do longa está em sua duração. O segundo ato se mostra excessivamente arrastado, e alguns minutos a menos poderiam tornar a narrativa mais dinâmica. Ainda assim, o primeiro ato é bastante eficiente ao apresentar aquele mundo isolado e mostrar o quão visceral pode ser a vida rural em uma ilha desconhecida. É inevitável o questionamento: o que levaria uma família, em plena consciência, a escolher viver em um ambiente tão hostil? Essas decisões narrativas ajudam o espectador a mergulhar de forma mais profunda na proposta do filme.
Joinhas:
3
Por:
@eduardomontarroyos