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Crítica:

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Avatar - Fogo e Cinzas

Retornando à direção em seu mais novo filme da franquia Avatar, James Cameron retoma a proposta desenvolvida em Caminho da Água, atraindo a atenção do público novamente para a qualidade inquestionável dos efeitos especiais executados aqui. Com isso, a trama retrata a família de Jake e Neytiri, interpretados por Sam Worthington e Zoe Saldaña respectivamente, enfrentando uma tribo Na’vi hostil, liderada pela implacável Varang, interpretada por Oona Chaplin, à medida em que os conflitos em Pandora se intensificam e surgem desafios em relação à sobrevivência do núcleo de personagens.

Sobre os aspectos técnicos abordados em Avatar: Fogo e Cinzas, é evidente o esmero dedicado ao refinamento do CGI, que cumpre sua função de contribuir para a imersão na experiência cinematográfica, adicionando um elevado grau de realismo às sequências, que possuem uma maior exigência em relação ao acabamento dos efeitos visuais.

Porém, nota-se uma disparidade desse aspecto positivo com a montagem confusa, que intercala momentos de tensão com cenas de diálogo de modo ineficaz. No que diz respeito à construção do roteiro, o cineasta não trabalha isoladamente; ele une forças com a experiente dupla Amanda Silver e Rick Jaffa. Os dois trazem consigo um currículo de peso no gênero, tendo trabalhado na trilogia de Planeta dos Macacos. Aqui, essa experiência (que deveria ser positiva) não faz diferença alguma. O trio criativo aposta em uma estrutura narrativa central quase idêntica à do 2º filme, que não apenas é repetitiva, como é cansativa (até pela duração do filme). Chega a ser impressionante o fato de que, mesmo quando parece ganhar ritmo, a trama se desloca para núcleos secundários maçantes e que pouco agregam à história.

Iremos aproveitar para fazer uma observação: todo o marketing do filme gira em torno do povo das cinzas e em seus “mistérios”, mas isso não faz o menor sentido. Por mais que tenham sua importância em dados momentos, em nenhum momento a narrativa caminha para realmente desenvolvê-los, ela apenas finge que o faz. Um ótimo exemplo disso é a Varang, única personagem interessante do longa e que é completamente desperdiçada no 3º ato. Enquanto isso, outros, como o Spider de Jack Champion, sofrem com diálogos vergonhosos de mal escritos.

No geral, Avatar: Fogo e Cinzas, condensa tudo que representa o cinema atual de James Cameron em um amontoado de cenas que se conectam por frágeis relações entre os personagens. Assim, embora mantenha o espetáculo visual, o cineasta entra no piloto automático e, mais uma vez, joga fora o potencial do universo.

Joinhas:

3

Por:

@mateusmtleite

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