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A Odisseia

Ao retratar a obra de Homero, A Odisseia (2026) aborda o retorno de Odisseu à Ítaca, na Grécia (após a Guerra de Troia), enfrentando figuras mitológicas como o Ciclope Polifemo, as Sereias e Calipso. Com a direção de Christopher Nolan, o filme reúne várias estrelas de Hollywood em seu elenco e conta com um orçamento expressivo de 250 milhões de dólares, o que pode levar à conclusão de que esse projeto tenha sido o mais desafiador da filmografia do cineasta.

Como foi promovido por Christopher Nolan, o caráter épico de A Odisseia certamente foi concretizado, mas se tratando da adaptação do material base, é perceptível que houve uma certa desconstrução, como é possível enxergar na tentativa de consolidar Odisseu como um herói perfeito. Ademais, a noção de sobrevivência intrínseca à história original é desdobrada de forma primorosa através da direção de Nolan, contudo há um consequente desperdício de conceitos, personagens e figuras mitológicas (relacionado ao seu aproveitamento ineficaz e seu impacto na trama pouco inspirado no material base) que foram apresentadas na obra escrita por Homero.

Em relação ao elenco estrelado de A Odisseia, infelizmente diversos nomes foram subaproveitados, o que implica na fundamentação de uma estratégia articulada pelo estúdio para atrair mais público. Porém, o protagonismo de Matt Damon foi profundamente recompensado por sua atuação, que dá a vida a um conceito idealizado de herói precisamente. Já não se pode dizer o mesmo em relação à performance de Anne Hathaway, que tem seu potencial completamente desperdiçado pelo roteiro, ao subaproveitar sua personagem, cujo impacto na obra original é bem mais significativo. Como antagonista, Robert Pattinson também não tem uma presença tão marcante quanto deveria, já que a narrativa de A Odisseia depositou todas as suas forças na construção do herói idealizado por meio da perspectiva de Odisseu.

Sobre os aspectos técnicos, evidencia-se o aproveitamento do som (e até da ausência dele) como forma de intensificar o impacto das sequências de ação. Também vale destacar que a trilha sonora composta por Ludwig Göransson cumpre sua função de modo eficaz, tornando-se ainda mais relevante na medida em que a trama exige mais intensidade. Tanto a utilização de CGI quanto a integração de efeitos práticos são muito bem realizadas em A Odisseia, além de que a cinematografia assinada por Hoyte van Hoytema contribui bastante para a grandiosidade das cenas mais impactantes.

Portanto, a experiência imersiva de A Odisseia compensa positivamente os problemas presentes na adaptação do material base para a linguagem cinematográfica. Além disso, o compromisso do Nolan em consolidar um caráter épico à narrativa desenvolvida no longa é satisfatoriamente colocado em prática.

Joinhas:

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Por:

@castilho_lucaslima

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